quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Novo nome e divulgação

Olá, leitores. Recomeço o blog em 2015 com um novo nome. Atelier Heráldico já existe e já está há um bom tempo na internet, então achei melhor trocar. Ele se chama agora "Blog de Armoria", nome inspirado no excelente Blog de Heráldica, hoje já finalizado, do heraldista espanhol Juan José Carrión Rangel.

Para começar essa nova fase deste tedioso blog, trago um projeto muito interessante que encontrei no blog Heraldica Nova, referência em projetos de heráldica em nível acadêmico. "A serviço da Coroa: O uso da heráldica na comunicação política real no Portugal do fim da Idade Média" é um projeto que está sendo desenvolvido por Torsten Hiltmann, da Universidade de Münster e Miguel Metelo de Seixas, da Universidade Nova de Lisboa. Abaixo está parte da apresentação, que pode ser lida na íntegra e em inglês neste link.
A Heráldica Portuguesa parece ter tomado um rumo bastante peculiar. Em comparação com outras regiões, como França, Inglaterra e Alemanha, em Portugal a heráldica evoluiu bastante tarde e surpreendentemente diferente. Apesar da riqueza das fontes e os insights surpreendentes que podem fornecer, a comunicação heráldica portuguesa no fim do medievo continua a ser pouco estudada, especialmente no resto da Europa. Graças ao generoso financiamento do Volkswagen Stiftung, Eu e Miguel Metelo de Seixas e nos propusemos a mudar isso dentro dos próximos três anos. Um dia antes do Natal do ano passado, a fundação nos informou que a nossa proposta de projeto de pesquisa colaborativa Alemão-Português havia sido aceita. Assim, estamos agora em condições de instalar um novo sub-projeto dentro do Projeto ''Performance of Coat of Arms'' que incidirá sobre as particularidades da heráldica portuguesa no final da Idade Média, e, especialmente, a sua utilização em comunicação política real.

O que há de tão especial sobre Portugal?  

Portugal mostra-se um estudo de caso interessante por causa da centralização inicial da autoridade real. Isto reflete-se na criação de um discurso confirmativo dessa autoridade, na teoria política e também na comunicação visual. Vários membros da família real de Avis (os reis João I e Duarte,e os príncipes Pedro e Henrique) escreveram eles próprios ou traduziram textos sobre doutrina política (specula principis). Suas idéias salientam o papel do rei como o possuidor de um poder que, embora certamente de origem sagrada, também baseava em um conceito neoplatônico. Este conceito integrado os membros da comunidade política dentro de uma estrutura hierárquica em que todos tinham a sua função: A tarefa do rei, como juiz supremo, é preservar o equilíbrio deste sistema de acordo com os princípios de justiça.
Ao contrário da situação na maioria dos outros reinos da Europa, os reis portugueses reclamaram para si autoridade exclusiva sobre heráldica e os meios de sua expressão monumental e visual. A coroa criou ela mesma uma autoridade heráldica que, teoricamente, todos os súditos do rei tinham que obedecer. A criação de um programa heráldico monumental fez esta submissão visível. 
A legislação heráldica portuguesa garantia este controle real, concedendo a coroa o direito de decidir a quem era permitido portar armas (Lei de Afonso V em 1476). Além disso, criou-se uma autoridade central (Portugal Rei de Armas), que decidia que armas eram pertencentes a quem, ao mesmo tempo que mantinham um controle rígido sobre a exibição das próprias armas reais (lei de 1521). Era oficialmente proibido representá-las sem a permissão explícita do rei.

sábado, 29 de novembro de 2014

Uma pequena consideração a ser feita

A Heráldica é uma ciência viva, e como ciência viva, evolui com o tempo. Não é por estar à margem da lei vigente que deve se basear apenas em preceitos parcialmente obsoletos. Novas armas continuam sendo assumidas e registradas em todo o mundo, desde o Canadá até a Austrália.

Acredito que seja um retrocesso enorme ater-se à tradições formalmente abandonadas mesmo onde ainda adota-se a heráldica sob os auspícios do governo. Este é o brasão de Sir Elton John, Cavaleiro da Ordem do Império Britânico.
Este Sir nunca esteve em uma batalha, provavelmente nunca levantou uma arma para alguém. É abertamente gay há muitos anos, o que pode ser considerada uma grande vergonha para os tradicionalistas da nobiliarquia. Isso não o torna menos digno de paquifes e elmo do que ninguém. A heráldica é uma ciência viva, e sendo viva, ela evolui. Não há necessidade de se ater a tão obsoletos regulamentos.

domingo, 23 de novembro de 2014

Qual é o meu brasão?

O interesse em heráldica é uma constante. Enquanto houver um brasão sendo exibido num prédio, numa fachada, num vidro, numa marca, na internet ou em qualquer lugar, sempre haverá gente interessada em saber da sua função e significado. Uma das provas disso é a quantidade de dúvidas sobre "Como saber qual o meu brasão?" que são respondidas toda semana no grupo "Heráldica Brasil", no Facebook.

fb.com/groups/heraldicabrasil

Pensando nessas dúvidas, decidi fazer um guia básico para quem está nessa procura.

Antes de tudo, vale sempre lembrar: Evite os comerciantes que usam a heráldica apenas para vender chaveirinhos e adesivos. Eu já expliquei o porque aqui, há algum tempo.

Se pensarmos que brasões sempre foram concedidos a indivíduos, passando depois a seus filhos e aos filhos destes, o mais correto é dizer que não existem brasões de família. Mas como o uso destes acabou se espalhando extra-oficialmente para irmãos, e destes para sobrinhos e etc, criou-se este consenso extra-oficial sobre direito ao uso de armas.

Ainda pensando na primeira informação dada no parágrafo anterior, temos lembrar que nem todos os indivíduos tinham direito a um brasão de armas. Assim, é bom lidar com a possibilidade de não haver um brasão de armas para seus ancestrais.
Este desenho extra-oficial das minhas armas pode estar totalmente incorreto.
A melhor forma de descobrir isso é com uma pesquisa genealógica. Sabe a árvore genealógica que você (ou seus filhos) teve que fazer anos atrás como trabalho da escola? Agora é hora de expandi-la para cima.
Árvore genealógica de Homer J. Simpson. dos Simpsons de Springfield, EUA.

Não sou um especialista em genealogia, mas os principais conselhos que ouvi e li sobre fazer sua árvore genealógica são:
  • Consiga o máximo de nomes, datas e locais possível. 
  • Visite Cartórios e Igrejas. São os melhores lugares para encontrar registros de nascimento, batizado, casamento e óbito, que são de muita valia na hora de encontrar datas e locais.
  • Visite os parentes mais velhos da família. Vá ver aquela sua bisavó de noventa anos, converse com ela, pergunte sobre documentos, fotos, datas, pessoas e qualquer informação que pareça útil
  • Anote tudo e seja organizado.
  • Use um software de genealogia. Há alguns bons softwares na internet para isso,como o Heredis, o GenoPro e o Family Tree Maker
Se após a sua pesquisa, você descobriu que o seu 5° avô recebeu uma carta de brasão do Império ou algo do gênero, fica genealogicamente provado que você e a sua descendência possuem direito a exibir aquelas armas como suas. Alguns mais puristas em heráldica podem exigir uma diferenciação caso você não seja o primeiro filho do primeiro filho do primeiro filho e assim sucessivamente. Mas se você e um parente não forem um desses caras:


então eu pessoalmente não vejo necessidade de diferenciação.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Design e Heráldica (II)

Esse blog anda meio parado, sem dúvida. Tenho algumas imagens dos últimos meses para postar, mas com a faculdade me falta tempo.

Por falar em faculdade, me inscrevi para dar um Minicurso  no Órbita - Encontro de Educação, Ciência e Tecnologia de Cabedelo, Paraíba, onde sou graduando em Design Gráfico. O tema, claro, não podia ser outro senão Heráldica aplicada ao Design.

Segue a apresentação:

sábado, 7 de junho de 2014