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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Mais Registros Heráldicos


Atendendo a pedidos, decidi voltar com a série de publicações sobre como adotar armas pessoais. Para quem não leu desde o começo seguem os links:

1. Conceitos Básicos
2. Registros Heráldicos

Para hoje, vou falar de mais duas possibilidades de registro de suas armas pessoais. Caso você não possa traçar linhagem a uma família armigerada nem tiver, por quaisquer motivos, possibilidade de oficializar suas armas com algum órgão oficial, registrar suas armas é importante para garantir que nenhum outro heraldista vai adotar ou vender um desenho que representa você. É uma forma de garantir a sua propriedade intelectual de forma extra-oficial e reconhecida por outros membros da comunidade heráldica pelo mundo.

As armas do Henderson Roll of Arms. Notem o escudo das minhas, na segunda fileira, pouco depois do centro da imagem.
Primeiro, o Henderson Roll. Oficialmente o "Society of Commoners Heraldic Roll of Arms", parece ter ganho esse apelido pelo sobrenome do seu idealizador, Mark Anthony Henderson. Ele é um compilado das armas pessoais dos membros da Society of Commoners Heraldry, um grupo no Facebook onde as pessoas discutem especialmente heráldica para gente que não faz parte da nobreza.


Outro registro que conheci recentemente foi o AssumeArms.com. É um registro de números modestos, e pessoalmente acho que o nível de organização visual é inferior aos outros, mas pronto, esta é a minha veia de designer falando. O sr. Richards, idealizador do registro, foi extremamente solícito e tratou das minhas dúvidas de forma correta. O registro é simples e claro. Por 30 dólares, o solicitante pode ainda receber um certificado.

Ps. Ainda estou aceitando perguntas, pedidos e sugestões de pauta para este blog. Podem deixar nos comentários!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Sociedade Brasileira de Heráldica

Essa publicação foi atualizada no Heráldica Brasil! Saiba como as coisas andam dois anos depois visitando: http://heraldicabrasil.org/2018/09/03/sociedade-brasileira-de-heraldica/

Parece que apresentar as organizações heráldicas brasileiras tornou-se uma espécie de série deste blog. Depois do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil e do posterior mas não sucessor, o Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil. No post de hoje, a instituição é a Sociedade Brasileira de Heráldica, nome fantasia da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística, Ecológica, Medalhística,Cultural, Beneficente e Educacional, que em minha humilde opinião, é a sociedade heráldica mais confusa que existe.

Para começar, a sociedade só possui UM artigo sobre heráldica. E surpreendentemente é um artigo decente, apesar de pequeno. Detalha uma adequação heráldica das armas da cidade de São Paulo aos termos da Heráldica de domínio Portuguesa, assimilada pelos municípios brasileiros. E para por aí. Ainda na mesma página, quando sugere-se que o leitor conheça mais de heráldica, o link direciona-o para a Wikipédia, que num parêntese pessoal, não parece ser a melhor forma de aprender heráldica para o iniciante.

Prosseguindo pela visita ao site, não encontrei nenhum outro estudo sobre heráldica ou quaisquer ciências similares. O único brasão para além do que é abordado no artigo é o da própria sociedade,que é esquartelado de verde e amarelo.


E aí acaba a presença heráldica visível desta instituição. Como eu sou um cara meio impulsivo quando o assunto é heráldica, dei a minha avaliação sobre esta instituição na página desta entidade no facebook. Não façam o mesmo, amiguinhos, eu acho até que peguei um pouco pesado, agora que releio.

A minha avaliação sobre a instituição rendeu uma mensagem do presidente desta organização, o senhor Galdino Cocchiaro. Foi a segunda pessoa que se aproximou de mim sobre o assunto da heráldica de domínio recentemente. Um senhor extremamente educado, pelos meus cálculos na casa de setenta anos, como a maioria dos heraldistas de mais idade. Fez a gentileza de me enviar o Estatuto da Organização.

E foi com incrível tristeza que eu li que estava entre os propósitos da organização “Pugnar pela paz mundial”, mas não havia nenhum “Promover e criar conteúdo para ensinar sobre heráldica às gerações futuras”.

A conversa ficou em aberto pelo adiantar da hora, mas da próxima terei muita coisa a dizer. Ao que parece será um diálogo mais proveitoso do que o último que eu tive sobre heráldica de domínio.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil

Há algum tempo eu falei do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil, uma iniciativa do já falecido heraldista Gustavo Barroso, que infelizmente se extinguiu após sua morte.


Nessa mesma linha, hoje vou falar do STACHB, o Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil, instituição posterior, porém, infelizmente, não sucessora da primeira, até onde me foi informado.

Atualmente, que eu tenha conhecimento, o STACHB possui dois membros. Um deles, seu presidente, é o famoso heraldista brasileiro, Alberto Fioravanti, Quem nunca ouviu falar nele é porque realmente não conhece o suficiente de heráldica. Um senhor bastante solícito, que nunca deixou de responder uma dúvida que eu lhe envie. Sobre o STACHB, já me respondeu muitas.

O outro membro é o Raul Marquardt. Espero ter acertado o nome. Ele é o dono do Atelier Heráldico, e ocupa o posto de Rei de Armas dessa organização. Nunca tive contato com ele, mas ele apresenta as armas do STACHB em seu site, e parece emitir certificações em nome dele.

Recentemente, tentei contato com eles, para me tornar afiliado ou colaborador, como fiz também com o Instituto Genealógico e Heráldico da Paraíba, enviando mensagem na página de facebook. Se alguém tiver recebido-a, gostaria de pedir a gentileza que me respondesse. Sigo esperando.

Por fim, estive trabalhando numa versão da insígnia deste instituto para aparecer nesta publicação, já que as versões que achei são todas muito pequenas. Um reflexo do estado pré-digital em que ainda vive muito da nossa heráldica.



Para além dela, vai também um desenho delas em forma de escudo, sem a legenda, que eu achei que ficaria bem interessante.

Ficou parecendo Bourbon de Espanha.

sábado, 23 de abril de 2016

O Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil, 2.

O Assunto Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil não estaria completo se eu não trouxesse de alguma forma a fonte das armas. Prometi no primeiro post deste tema, e trago, da melhor forma que me foi possível, a matéria sobre o Colégio, que aparece na Revista Mundo Ilustrado, Edição de Janeiro de 1955. Cliquem na imagem para ver em máxima resolução.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil

Quanto mais me aprofundo em Heráldica, mais me apaixono por esta ciência. No último dia 1, enquanto eu fingia ter mudado para umas armas novas, chegou para mim um volume da Revista Mundo Ilustrado, edição do fim de Janeiro de 1955 (61 anos, portanto). Esse volume traz em sua página central um artigo de duas páginas sobre o Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil, seus membros e um texto sobre a monarquia brasileira. Infelizmente o meu scanner é pequeno para uma cópia em qualidade satisfatória da página. No futuro, posso disponibilizar ao menos o texto integral desta publicação. Por ora, uma foto da publicação deve matar a curiosidade dos leitores.

Não tenho muitas informações sobre o tal Colégio, mas até onde eu pude apurar, foi fundado a 6 de novembro de 1951, na então capital federal, o Rio de Janeiro. Num Anuário de membros postado no ano de 1954, contava com membros na França, Luxemburgo, Espanha, Suécia, Portugal, entre outros. O escritor, genealogista e heraldista Salvador de Moya era membro correspondente da academia em São Paulo, na época deste anuário.

Seu presidente era Gustavo Barroso, um grande heraldista citado em bastantes matérias sobre heráldica e genealogia ainda hoje, e tinha como membro, além de Salvador de Moya, outro grande heraldista, também já falecido, Rui Vieira da Cunha. Este último conta com grandessíssimas obras sobre a nobreza imperial, incluindo heráldica, que no futuro com certeza quero ter em minha coleção.

As armas do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil aparecem no topo da primeira imagem deste artigo. Não é uma impressão em cores, nem há o sistema de traços, e muito menos há um brasonamento que informe,então acabei usando do bom e velho instinto para chegar a cores para as armas. No fim, fiquei com:
De prata, uma cruz da Ordem de Cristo, com uma bordadura de azul carregada de dezenove estrelas de prata. Como timbre, uma esfera armilar. Como suportes dois bastões  rematados por duas esferas armilares de ouro, unidos por um laço de vermelho. Todo o conjunto assente num manto de vermelho, este timbrado de uma coroa antiga.
As armas do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil.


sábado, 2 de abril de 2016

Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica

Esses dias encontrei o Grupo de Facebook do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica. Nos dois anos que morei em João Pessoa, visitei o prédio do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba em busca de alguma notícia do instituto, porém sem muito sucesso infelizmente.
Armas do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba.
O Atual Presidente do Instituto, o sr. Teldson Douetts Sarmento, parece ter iniciado em sua gestão uma tentativa de modernização deste, abraçando o século XXI e seu ícone maior até o momento, a era da informação. Espero grandes coisas deste e de todos os órgãos que passem a compartilhar conteúdo e conhecimento heráldico na Internet.

Visitando o grupo (que é público), encontrei este desenho das armas do IPGH.


Acompanha o seguinte brasão:
BRASÃO DE ARMAS DO I.P.G.H.
Escudo: de azul, seis pães de açúcar de ouro, dispostos em roquete. Chefe de ouro gotejado de vermelho.
Lema: "Fontes colamus nostros" letras de ouro sobre listel de azul.

Os seis pães de açúcar de ouro em campo de azul são os primeiros símbolos heráldicos da Paraíba, brazonado pelos holandeses. Neste escudo, representam com mais profundidade a sua origem e historia, sob o aspecto heráldico. É a alusão aos estudos heráldicos como objetivo do Instituto.
O chefe de ouro gotejado de vermelho, retrata do sangue de raças e famílias que formavam a Paraíba, muitas vezes a custa de sacrifícios e lutas. É a Genealogia na sua representação mais nobre.
O lema "Fontes colamus nostros" ou " Cultivemos nossas origens", é o apelo aos distintos propósitos da Entidade.

O Chefe, um dos conceitos mais básicos em heráldica, "ocupa a terça parte do escudo, acompanhando horizontalmente o traço superior", como cita Luiz Marques Poliano em seu "Heráldica". Este desenho está em teoria incorreto, na medida em que o Chefe ocupa mais que a terça parte do escudo, quase a metade.

Mas como nem só de corrigir vive a Heráldica, que não é só ciência mas também é arte, fica aqui também o meu desenho, onde tentei o meu melhor para reproduzir um brasão no estilo do ilustre Paulo Lachenmeyer, artista e heraldista responsável por tantos brasões do nordeste brasileiro.


terça-feira, 22 de março de 2016

Registros Heráldicos

A República efervesce lá fora. Aqui dentro, no âmbito da minha monarquia particular de alguns metros quadrados, vivemos eu e a princesa Manuela, uma filhote de Jabuti que fez morada nos cantos escuros deste reino-quarto, onde está tudo em paz. Por aqui ainda não se vê armoriais enfeitando as paredes, mas quem sabe um dia não consiga alguma certificação, mesmo que extra-oficial, para colocar por aqui. Para hoje, no segundo artigo na série de dicas para a realização de suas próprias armas (Confira o primeiro artigo aqui), vamos falar de registros e certificações privados de heráldica, pois infelizmente a maioria das nações carece de um Rei de Armas ou de um corpo heráldico oficial.


Para garantir que suas armas sejam reconhecidas, é muito importante que você as exiba. Afinal ninguém quer que armas iguais às suas apareçam. Além disso, é importante também que você as adicione o seu brasão a registros. Serve para garantir provas num eventual caso de usurpação de armas.


Em caso de você ser brasileiro e possuir algum parente enobrecido na família, é bom consultar o Instituto da Nobreza Portuguesa, que parece lidar com matérias destas, inclusive de brasileiros. Às vezes, a diferenciação correta no brasão é necessária, para garantir que você não use o mesmo brasão de um parente. Um e-mail pode ser enviado com mais dúvidas para o Secretário do INP, apesar de que eu não tenho certeza se ainda este e-mail está ativo. Para todos os efeitos, pode-se tentar ainda o endereço físico, que para este não há falha.
Desenho das Armas do INP por Miguel Boto.

Palácio Fronteira
L. S. Domingos de Bemfica, 1
1500-554 Lisboa, Portugal

Caso você não consiga traçar seu caminho genealógico até nenhum nobre e tenha escolhido registrar armas novas, há alguns registros na internet, para os quais você pode enviar suas armas pessoais.

O Registro Heráldico Brasileiro, do Leonardo Piccioni, grande heraldista do qual eu já falei algumas vezes aqui no blog, é um dos mais simples e acessíveis. Todas as informações e como pedir o registro estão na página.

Internacionalmente, há mais alguns registros, e alguns deles emitem certificações. Alguns registros são gratuitos, como é o caso do Registro do Heraldry of the World, sediado na Holanda, do RIAG, Registro Internacional de Armas Gentilicias, sediado na Espanha, e o do United States Heraldic Registry, sediado nos Estados Unidos. No entanto, por uma pequena taxa, estes dois últimos podem criar uma certificação, que mesmo que não tenha valor legal, faz um bonito quadro para se pendurar na parede. O RIAG cobra 75 Euros, e o USHR cobra entre 20 e 100 dólares pela certificação. O segundo pode enviar o certificado em PDF, para que você mesmo o imprima.


Saindo dos registros gratuitos e indo para os pagos, há o Armorial Register, que cobra entre 100 e 110 libras pelo registro, que inclui um certificado simples, e mais 45 libras por uma certificação graficamente elaborada. Este registro é publicado periodicamente. Já foram dois livros, que também estão disponíveis no website deles.