Desculpem a demora. O fim de ano foi corrido, e o começo mais ainda, com o início da nova graduação. O Heráldica Brasil segue bem ativo, sempre podem visitar lá.
Hoje, para concluir a série das seis regras heráldicas, a mais simples depois que você aprende, mas mais complicada de explicar. Tanto que há semanas eu começo, escrevo, paro, apago e reescrevo tentando explicar. Me sinto melhor para explicar essa regra como designer do que como heraldista. Vamos a ela.
6. Um brasão deve ser regular, simples e completo.
Ontem eu consegui um bom exemplo. Ou melhor, um péssimo exemplo.
Um amigo me mandou o "brasão" que um ilustre anônimo propôs num grupo de monarquistas. Eu, apesar de monarquista, parei de frequentar esses grupos justamente pelo péssimo gosto (político ou heráldico) da grossa maioria de seus membros. Mas avançando de volta para o assunto, vamos comparar a imagem que o meu amigo me mandou, com os conceitos que estamos tentando seguir aqui.
Vejam a imagem aqui. Já avisei anteriormente que é péssima.
Regularidade: Brasões, como peças de arte, como cultura material, possuem uma configuração visual básica, velha conhecida dos bons heraldistas, em nível elementar. Quem não lembra dessa imagem?
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É uma das imagens que provavelmente ensinou os princípios básicos da heráldica a todos os heraldistas da minha geração. Ela acompanha uma excelente introdução à Heráldica. Percebam a regularidade, a ordenação visual. E comparem com a imagem anterior, quanto ao uso de cores, as imagens utilizadas e o cuidado visual. O segundo brasão vence, e por muito. A diferença na unidade da composição é notável. O segundo está encaixadinho. O primeiro parece uma colcha de retalhos.
Simplicidade: Acredito que vocês, caros leitores, se não sabem, devem ter pelo menos uma vaga ideia de porque a heráldica surgiu. Se pensou em "para identificar homens de armas dentro de camadas e mais camadas de metal", acertou! A função primordial da heráldica é a identificação. Tudo bem, tenho que dar o braço a torcer que eles serão identificados como o grupo monarquista com o pseudobrasão mais estranho de todos. Mas não é a esse tipo de identificação a que me refiro.
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| (c) Ian Heath 1989 |
E como sabemos o que é de menos e o que é de mais? Lendo. Pesquisando. Conhecendo. Nunca é demais seguir aprendendo.
Isso conclui a série de seis regras para boa heráldica. Nos próximos dias, teremos uma volta aos posts, ainda não sei se tímida ou mais incisiva. Fiquem de olho!











