quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

As armas da heráldica


Hoje, trago com atrasada felicidade um novo post traduzido. Dessa vez é do grande Juan José Carrión Rangel, dono das armas na bandeira acima, e também do famosíssimo (e aposentado) Blog de Heráldica, agora substituído pelo novo Crónicas Heráldicas. O post escolhido foi a proposição de Rangel para um escudo que representasse a heráldica como comunidade.

O Maestro Dom Xavi Garcia, Conde de Puig de Sabadell no Reino de Maestrazgo, cujas distintas armas são as que se seguem,

propôs um brasão para o conjunto desta ciência heráldica. Brasão esse que reproduz, sobre um partido das duas peles fundamentais, escudetes com as cores e metais.

Resultam otimamente criadas, ao compor todos os esmaltes e peles. Além disso, foram aceitas por toda a comunidade heráldica, como conjunto, e assim sendo, as acato.

Mas, lamento discordar, não me convencem. Elas Lembram efetivamente às que há poucos dias enviou-me Dom Ion Urrestarazu. Aquelas que apareciam em um armorial antigo.

Mas, porque dispor os esmaltes como símbolo de nossa ciência? Discordo, mas insisto que, se tiverem sido admitidas pelo conjunto de heraldistas, devo assumi-las.

Nossa espécie chegou ao domínio da superfície emersa do planeta através de uma série de mecanismos. O primeiro deles foi, sem dúvida, a capacidade de adaptação ao ambiente à nossa volta. Dizem os sábios que a ligação com o passado ajudou muito ao êxito da curiosidade. Curiosidade que fez com que membros de nossa espécie quisessem saber o que havia para além da linha do horizonte; porque crescia uma planta onde um ano antes haviam jogado sementes; e também socialmente, por que alguns indivíduos ostentavam privilégios que outros não possuíam.

Hoje se conhecem os mecanismos que movem os impulsos sociais. Assim, se sabe que se copiarão os modos dos que ocupam os postos que o conjunto considera mais elevado. Os privilegiados de uma sociedade, aqueles que ostentam os mais altos postos da hierarquia social e consequentemente mais endinheirados serão o espelho sob o qual o resto dos concidadãos se projetará para tentar alcançar um estilo de vida similar.

Desta forma, lhes copiarão, na medida do possível, nas formas de lazer, de se vestir, de se comunicar, etc...

Não é necessariamente negativo, este mecanismo hierárquico. Copia-se aos que ocupam os patamares mais altos e dessa forma se gera um avanço social generalizado.

Sempre foi assim. Goste-se ou não, este mecanismo de conduta existe. Proponho um exemplo: Se os que ocupam os postos mais privilegiados na atualidade começam a praticar um esporte, serão copiados por cada vez mais pessoas. Se começam a vestir uma roupa nova, o resto da nação também o fará. Se passam suas férias em determinado lugar, o conjunto de cidadãos igualmente fará planos para ir ao mesmo lugar quando for possível.

E a comunidade heráldica, da mesma forma, deve se espelhar em quem ocupa os postos de mais alcance, mais importância, mais responsabilidade em matéria de Armaria.

Quem exerce tradicionalmente o máximo escalão na hierarquia da comunidade heráldica? Os reis de armas.

Sim. Nos reinos que ainda os mantém, com certeza todos os interessados em heráldica desejam alcançar esses postos.

E o mecanismo é bom: para consegui-lo, estudarão a fundo nossa ciência, cultivarão relacionamentos, se prepararão para obter os conhecimentos necessários.

Em consequência de todo o exposto, este redator propõe que as armas da heráldica reflitam o mais alto nível hierárquico alcançável: o ofício de rei de armas.
E que figura o representa? Efetivamente, improvável leitor, a própria coroa de tão alto cargo.

Como campo do escudo, seguindo ao licenciado Dom Pedro Luis Bengoechea, presbítero, em sua obra Los Rújula, de 1926. Proporia o azul, porque segundo explicou tão sábio sacerdote: “Esta é a cor que deve constituir o único objetivo daqueles [os reis de armas]: o céu”.
Desenho feito por mim, o tradutor.

Nada mais, improvável leitor. Lamento discordar do resto.

Por fim, deixo aqui o link da publicação original, para que todos prestigiem o ótimo blog do Juan:
http://cronicasheraldicas.blogspot.com.es/2014/01/las-armas-de-la-heraldica.html 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Reparando um problema: Brasão de São Bento

Se os senhores leitores acompanham o blog desde o começo, saberão que não é exatamente a São Bento de Núrsia que me refiro neste artigo. Se apenas chegaram aqui nos últimos posts, sugiro que leiam o primeiro post do blog, e então descobrirão que São Bento a que me refiro é a cidade onde fui criado desde os primeiros dias de vida, onde cresci, e de onde em breve partirei, em busca de um curso superior.

E se os leitores foram mesmo até o primeiro post, terão visto qual o problema que me dispus a enfrentar. O dito "brasão da cidade" é uma catástrofe.
Todos os erros que eu encontrei fizeram esse "brasão" ir parar no grupo "Heraldry Hall of Shame".
E lá estava eu, no facebook, fazendo o que estava ao meu alcance para mudá-lo, ou seja, reclamando e exprimindo meu descontentamento em relação a isso, quando tive a grata surpresa de ver o Vice-Prefeito da minha cidade entrando na conversação. Ele me propôs trabalhar em uma nova versão, e apresentá-la à Câmara Municipal. Aceitei. Quando teria outra oportunidade daquelas?

Comecei então a trabalhar com os símbolos mais importantes do município, procurando uma forma de representá-los heraldicamente. Os conceitos principais a exibir eram a indústria têxtil, com a produção de redes de dormir, carro-chefe da indústria local; o Rio Piranhas, recurso natural que permitiu a povoação da região; e São Sebastião, santo padroeiro da cidade. Após alguns dias trabalhando com várias linhas de criação e escolha de figuras, satisfiz-me com o seguinte:

De azul, três faixas ondeadas de prata entre três capuchos de algodão de ouro floridos de prata no chefe, e três flechas de ouro invertidas, em ponta. Escudo encimado por uma coroa mural de 5 torres. Na parte inferior, um listel de vermelho com a divisa "29 de Abril de 1959 -  São Bento" de prata. 


Proposta de Correção Heráldica para o Brasão Municipal

Concluída a produção heráldica, encaminhei este desenho ao vice-prefeito. Ele se agradou muito do projeto e pediu para que eu entrasse em contato com o responsável do setor burocrático, para tratar da redação do texto de lei que será apresentado aos legisladores, provavelmente já neste mês de fevereiro, incluindo uma apresentação em termos técnicos que tenciono realizar aos nobres vereadores. Estou ansioso por isso. Mais novidades, manterei-lhes informados, caros leitores.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Exército Brasileiro

Esqueça o que você pensou que seria o Brasão do Exército Brasileiro. O escudo com a espada é muito bonito visualmente, mas não é o Brasão do Exército Brasileiro.
Bela tentativa, mas está errado!
O Brasão de Armas do Exército Brasileiro foi oficializado pelo Decreto 94.336, de 1987. Infelizmente, não consegui mais informação sobre o desenho, porque o exército desativou o seu Centro de Documentação. Felizmente, para este blogueiro, a Wayback Machine mantém ainda boa parte do site, que pode ser acessado clicando aqui.

Segundo o decreto, o brasão é: "Escudo clássico português partido de vermelho e azul, tendo em brocante um grifo de ouro, animado, lampassado e armado de preto, segurando nas garras uma estrela de oito pontas de prata. Simbolizando, a figura mitológica do grifo, a vigilância e a guarda na defesa da Pátria e da lei; a estrela de oito pontas, a necessidade de se agir em todos os pontos cardeais em busca da União [...]" Não entendo porque colocar o significado junto do brasonamento, mas se o governo quis assim, quem sou eu pra ir contra.

Versão disponível para download, a qual eu ainda tive de dar uma arrumada.
A data refere-se a Batalha de Guararapes, onde "nasceu" o Exército Brasileiro. E como eu gosto de montar alternativas, decidi fazer uma também.

Na minha edição, que não sei dizer se foi uma melhora ou piora do desenho, mantive quase todos os elementos como reza a descrição, à exceção das correias, que tentei fazer mas infelizmente não consegui.
Minha versão do Brasão do Exército. Os ornamentos não estão tão bons, mas o escudo em si me parece muito melhor.
Estava já pronto para passar ao Blogger para escrever, mas decidi aproveitar que estou me aventurando pelos ramos da vexilologia, para apresentar também uma alternativa ao Estandarte do Exército, que atualmente é branco, com o brasão no centro, como vocês podem ver clicando aqui. A ideia é simples, e consiste apenas em representar as armas na bandeira.
Alternativa de Estandarte para o Exército Brasileiro